05 julho 2005

consumismo

consumismo

O consumo está em todo o lado na nossa sociedade, mesmo quando o negamos.
"A quotidianidade constitui a dissociação de uma praxis total numa esfera transcendente, autónoma e abstracta (do político, do social e cultural) e na esfera imanente, fechada e abstracta do privado. (BAUDRILLARD)
O consumidor vive no mundo da manipulação usufruindo dos conteúdos que a sociedade tem para "vender/oferecer" de forma inconsciente das escolhas que faz, pior ainda, achando o consumidor que faz as suas escolhas com total liberdade de opção, completamente alheio à força da comunicação social, particularmente aos arquétipos e clichés usados na publicidade. "A publicidade é o revestimento de uma lógica económica insustentável por meio de inúmeros prestígios da gratuidade que a negam para melhor exercer o seu exercício" (LAGNEAU)
A sociedade actual consegue até "vender" a ideia de individualismo, de personalismo e convence cada um de nós da nossa originalidade, negando o condicionamento e obediência aos códigos sociais divulgados/promovidos/ampliados pela comunicação social."tanto na lógica dos signos como na dos símbolos, os objectos deixam de estar ligados a uma função ou necessidade definida, precisamente porque correspondem a outra coisa, quer seja ela a lógica social quer a lógica do desejo, às quais servem de campo móvel e inconsciente de significação. ... A diferenciação pode assumir a forma da recusa dos objectos e da recusa do consumo." (BAUDRILLARD)
A grande perversidade deste sistema reside precisamente no facto de realmente conseguir convencer cada um de nós de uma liberdade e originalidade ilusórias. Apenas mais um dos vários simulacros criados pela sociedade ultra-capitalista. O anti-consumo não deixa de ser consumo: é um meta-consumo. O vestido que não obedece à moda, o carro original para aqueles que estão fora do sistema, o pentedo despenteado, a carteira diferente para quem em um estilo de vida único... O consumidor esquece-se que cada um desses objectos únicos e originais é produto de uma indístria que fabrica biliões de outros rigorosamente iguais a estes únicos.
"As classes médias têm a tendência para consumir com ostentação. Ao fazê-lo dão provas de ingenuidade cultural. Escusado será dizer que por detrás se encontra toda uma estratégia de classe. ... A publicidade sob todas as formas tem como função o estabelecimetno de um tecido social ideologicamente unificado." (BAUDRILLARD)
O sucesso da publicidade mede-se pela quantidade de pessoas que negam a sua eficácia. Quanto mais se nega a sua influência e se reafirma a individualidade mais baixos estão as defesas e os filtros psicológicos e menos imunes estamos à sua forte capacidade de persuasão. Esse é o maior triunfo publicitário: convencer-nos de que somos livres de optar!
BAUDRILLARD, Jean, Sociedade de Consumo
LAGNEAU, G., Faire-valoir